Porta fechada, trancado em casa, no quarto, a luz entrando pela janela, aquele silêncio do lado de fora conflituava com o aumento do barulho do lado de dentro. Home Office, criança chorando, tragédia em todos os jornais, briga política. Ruídos que se confundiam com os nossos pensamentos e emoções que tentavam de se adaptar a essa nova realidade. O cenário da sua vida, que era diluído ao longo das 24h, fica concentrado em um mesmo lugar. Contudo, essa fase foi diferente, e muito diferente, entre todas as pessoas. Nesse ponto, com a ausência de “ruídos” externos, alguns melhoraram o seu cuidado, enquanto outros entraram em um círculo vicioso sem fim. Alguns, em casa, sentiram-se confortáveis, outros, o simples fato de estarem o tempo todo com a família gerou faíscas, brigas, algumas até irremediáveis. Além daquelas que ao se confrontarem, sozinhas, vivenciaram desde grandes descobertas a imensas frustrações. Isso aliado a morte de pessoas próximas, familiares e amigos, foi se transformando em uma grande panela de pressão.
Todas essas situações também foram aliadas a diversos sentimentos. Por exemplo, uma tristeza pela impossibilidade de fazer uma viagem, mesmo que essa nem estivesse planejada. O medo de morrer, que gerou fugas físicas e também emocionais, indo para a comida, a bebida, os jogos, o sexo, a masturbação. Aliás, “se a vida deve ser uma só, algo tem que me dar prazer nesse exato momento”.
Tudo isso veio somado com as notícias de que os fatores de risco para letalidade do coronavírus eram justamente aquelas doenças que estão mais relacionadas com esses hábitos hedônicos, com essa busca incessante por uma felicidade frágil aliada ao prazer. Em uma correria atrás de uma felicidade tirânica que só nos leva a uma frustração sem fim.
Assim, analisar a sua resposta ao que aconteceu não é apenas interessante, mas de SUMA IMPORTÂNCIA para entender o seu cuidado. Aqueles que tiveram uma melhora não necessariamente são mais fortes do que aqueles que não conseguiram se cuidar. Apenas tiveram situações favoráveis que propiciaram isso. Será que isso continuará quando tudo voltar ao normal? Do outro lado da moeda, conhecer todo o cenário que atrapalhou o seu cuidado nos ajudará nessa reconstrução, ao entender as dificuldades e saber que são muito maiores que a mera falácia da “falta de força de vontade. “
Qual foi o seu cenário? E como será a partir do momento que tudo voltar ao normal?









