Bem, já estamos no final de outubro, e o que não faltou, espero, é um monte de informação sobre prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama.
Muitas dessas informações foram sobre o autoexame e os exames periódicos. Alguns, poucos, discutiram sobre a mudança de estilo de vida. Contudo, te oferecem muito mais um conselho, do que uma solução. Colocam as pessoas como robôs que devem fazer exatamente tudo igual. Todos tem seguir algum um único processo: “Não coma industrializado! Não coma carne! Não coma glúten! Não use adoçante! Não use álcool!” Não coma isso ou aquilo, até você não comer absolutamente nada. Bingo! Sucesso! Aliás uma das poucas coisas que aumentaram a longevidade no mundo animal foi algo que chamamos de restrição calórica. Mas, você faria? Até quando?
De um lado estão retirando de você um monte de elementos (que, em grande parte e em grande quantidade, não fazem bem mesmo!) ou é apenas com um breve “Olha, você tem que perder peso e fazer atividade física!” Com um tapinha nas costas e um até logo.
Fico imaginando o grau de sucesso dessas abordagens, ou melhor, não fico imaginando, não. Sei que não dão certo! Normalmente, tais mudanças não conseguem um impacto maior que 5% ao longo prazo. E quando a mudança é até bem estruturada, ela atinge, no máximo, 25% de sucesso. Assim, não deveríamos nem começar a falar de mudança de estilo de vida se não soubéssemos como ajudar.
Sempre que vejo esse cenário me recorre uma história tipo essa aqui:
– Fulano, cuidado com a pedra!
– Que pedra, Dr.? Nao vejo nada!
– Não vê nada? Ela está logo ali.
– Onde?
– Quer uns óculos?
– Seria ótimo
Nesse momento, o Dr. Entrega uns óculos de perto (algo como o Check-up atuais) e o Fulano não vê nada na sua frente. Fica tranquilo, tira os óculos e segue em frente.
Passado algum tempo…
– Cuidado!
– Com o que, Dr.?
– Com a pedra!
– Mas não tem pedra nenhuma, já vi com os óculos!
– Tem sim, ela está aí! Se você continuar por esse caminho vai tropeçar!
– Mas como faço para mudar o trajeto?
– É só seguir outra direção!
– Que direção? Eu não sei como!
– Sabe sim, você consegue, é só querer!
– Como se eu não enxergo?
– Enxerga sim! Melhor parar de moleza!
– Que moleza? Sempre que faço uma mudança brusca, volto sempre pra essa mesma direção.
– Você apenas acha que mudou, mas não mudou nada!
Sem saber o que fazer, o Fulano segue andando, sempre na mesma direção, ora fazendo alguma curva, ora apenas na reta sentindo culpa. Até que, em um determinado momento, tropeça na pedra e… cai. E, ouve, bem lá no fundo:
– Viu, bem que eu avisei!
Mudanças na nossa vida são profundas, muito do que acontece conosco já tem uma história, um passado bem enraizado, que torna cada vez mais difícil de alterar com o passar do tempo. Existe um caminho correto, mas diferentes formas de guia-lo até lá.









